segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Rápido, ou eu não me lembro mais.

Está feito. Eu sou a pessoa caída no meio da rua e o motorista do carro em alta velocidade. Sou o sinal vermelho, o verde, sou o amarelo pedindo atenção. Sou a senhora sentada no banco da praça, sou o homem viúvo jogando pedaços de pão para os pombos. Sou a criança que solta das mãos da mãe pra chegar no parquinho, sou a menina que faz (ou pelo menos tenta) um castelo de areia. Sou o rapaz olhando as meninas passarem em bando, sou a garota que procura por um rapaz. Sou o casal na loja de departamentos, sou a família de luto enterrando o pai, que teve infarto fulminante. Sou o bebê de seis meses passeando no carrinho, sou o menino fantasiado de marinheiro que derrubou sorvete no chão. Sou a moça que não se distrai, ali, na janela do prédio. Sou a dona de bar que nunca arranjou um marido, sou o homem-estátua surpreendendo os transeuntes. Está feito. Eu sou o tempo e o lugar, todas as pessoas que tem um pouco de mim. Sou as horas que não passam, eu sou... Eu seria. Se ao menos respeitassem as leis de trânsito.

2 comentários:

Desconhecido disse...

Demais.

Camila disse...

eu gosto da fluidez dos seus versos, e da originalidade quase doce das suas ideias