quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Obs. 22:

Algo deu errado aqui dentro. Eu sei. Eu sinto. E dói tanto, tanto.

domingo, 23 de outubro de 2011

Sobre ser poeta de palavras vazias

Os poetas querem ser lidos: os velhos, os amantes, os recém-nascidos. Querem o sal da lágrima e o doce do beijo, querem tudo o que não têm. Idealizam o idealizável e acabam morrendo de realidade crua, ou apenas de dor nas juntas. Eles escrevem sobre a beleza da solidão e sobre como é ruim estar sozinho; rimam com o amor incondicional, sem colocar os pingos nos Is. Assinam lembretes e confirmam a autoria, só que se esquecem de lembrar. Mas nunca subestime os sentimentos de um poeta: ele é intenso por dentro.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Camões

Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei por quê.

sábado, 15 de outubro de 2011

Sou brega (e filha da Língua Portuguesa)

O amor tem lá suas conjugações
e estou farta de primeiras pessoas;
cansei de ser singular, unilateral
e também do tão querido plural
- só é verdadeiro com pronome reflexivo,
conjugado no presente do indicativo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Considere como um pedido de perdão

Penso, aqui sozinha, 
eu não sou tão ruim assim
talvez sejam as pessoas
e as circunstâncias 
ou as palavras nunca ditas por mim

Vá saber, vá entender
é que ando entediada ultimamente
achei que nunca precisaria de cuidado
e muito menos de muita gente

Me engano e me desfaço
quero tudo o que não tenho
quero voltar em cada abraço mal dado,
torná-lo apertado e existente.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Atemporal e intenso

"Havia achado, sempre, que morrer de amor não era outra coisa além de uma licença poética. Naquela tarde, de regresso para casa outra vez, sem o gato e sem ela, comprovei que não apenas era possível, mas que eu mesmo, velho e sem ninguém, estava morrendo de amor. E também percebi que era válida a verdade contrária: não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego. Havia perdido mais de quinze anos tratando de traduzir os cantos de Leopardi, e só naquela tarde os senti a fundo: Ai de mim, se for amor, como atormenta."


Gabriel García Márquez
(Memória de minhas putas tristes)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Destino

Quais são seus caminhos?
Quais são os passos meus?
Coincidam e se conheçam
Nos tropeços ou nas danças 
E sintam juntos o cheiro da chuva
Quando andarem por aí.

domingo, 9 de outubro de 2011

Seja

Inconstância e insolubilidade
sou cansaço interior
desmedido
atrevido
pois eu sofro
de amor

E não me venha
não se vá
não me leve
venha cá
seja breve
seja eterno
seja hoje
seja meu

Tome vida
e se aprimore
me namore
e não se esqueça:
quero flores
e borboletas estomacais.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O utópico dos meus dias

O amor não acontece pra mim
e talvez ele nunca aconteça
quer seja mentira, quer seja verdade
 quem sabe eu já morri de tantos versos mortos 
e de pontos finais sem iniciação de período

Hoje escrevo o que quero 
por ser poeticamente correto
e que se dane, é o que tenho a dizer
pra mim amor é só mais um mito, 
outra utopia bonita pra se viver.

Só se for agora e pra sempre

Não sei lidar, definitivamente
com tudo que envolve sentimento
não tenho alento
não sinto dor, amor

E aviso:
se houver alguém, que venha já
não tarde, não se perca
do contrário me perderá.