sexta-feira, 27 de maio de 2011

Obs. 13:

Sujo as mãos de promessas vencidas
e pinto os dias de conflito temporal, repetidamente.
Repeti da mente, outra vez.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Erro em comum

Posso eu ter parte nestes teus sonhos bonitos
devo eu ser culpada por acordar você
perdoe o meu eu do aqui e agora
não é por dentro como aparenta ser por fora
de fato

Eu te peço perdão, não foi minha intenção
e que você seja feliz, sempre feliz
te desejo tudo de bom e não repreendo,
pois desse erro, te juro que entendo
também entristeço por não ser do jeito que eu quis.

sábado, 21 de maio de 2011

Eu digo não

Então desperdiço o meu tempo
vou e devaneio um amor
faço meu o que é do vento
seguro o ar com as minhas mãos
e invento outro, outro e outro;
um para terça, quarta e quinta
outro para o final de semana,
só pra diminuir a monotonia
fazer da noite o meu dia
me trazer inspiração;
eu amo com a mente
abaixo o suicídio do coração.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Eu invento demais

Vou vivendo do amor de Platão
indo dormir com um sonho inventado
atribuindo o extremo da perfeição
ao anjo que nunca está ao meu lado.

Fim (fazer o quê se sou assim?).

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ao longe os barcos de flores

 (Camilo Pessanha)

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranqüila,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flébil... Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Obs. 12:

A morte transforma a vida em brincadeira de respirar.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Verbo estar

Cansei de correr atrás da felicidade, ela que corra atrás de mim agora. Nem faço mais questão. E digo mais: as pessoas não são felizes, elas estão ou estariam assim. Quem perde é o verbo ser, eu não perco nada, só prática. É como uma árvore que aprende a florir e deixa de dar flores. Às vezes a gente se dá conta de que não é primavera o ano inteiro.

sábado, 14 de maio de 2011

Brand New Shoes

 (She & Him)

Eu tinha alguns sapatos novos
Eles eram vermelhos, mas eles me deram tristeza
E eles estão fugindo
E me deixaram uma carta

É exatamente como você me disse que seria
Não é nada, nada, nada
Nada demais

Somos todos feitos de ar
Há estrelas nos meus olhos
E há sol no meu cabelo
E eu estou fugindo
Isso me faz sentir melhor

É exatamente como você me disse que seria
Não é nada, nada, nada
Nada demais

E quando se resume a isso
Não lamento, nem juro, nem me adapto
E eu estou fugindo
Há fumaça na minha blusa

É exatamente como você me disse que seria
Não é nada, nada, nada
Nada demais

Eu tinha alguns sapatos novos
Eles eram vermelhos, mas eles me deram tristeza
E eles estão fugindo
E me deixaram uma carta

É exatamente como você me disse que seria
Não é nada, nada, nada
Nada demais
Nada
Nada demais

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Flor entre páginas

Letra sem música 
é como amor sem encontro;
um terno desencontro
entre belos e malditos

Nela a beleza sempre oculta
é a maldição por sua vez incutida
é a pureza outrora refletida
por mais outro coração sem cura

Se é cuidado o que ainda perdura
ou se é aversão o que ainda se impõe
se lhe persistem mágoa, medo e lamúria
por que fé ao amor ela ainda propõe?

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Venta no abandono

Por favor me diga 
tudo o que você sabe 
sobre esse vazio 
que a gente sente, 
sobre esse amor 
que os olhos mentem, 
sobre a chuva 
que se nega a cair

Por que os pássaros voam, 
por que o dia amanhece, 
por que das coisas boas 
as pessoas se esquecem
 e por que se desaprende  
a sorrir? 

De explicação lógica 
ou de lógica irreal, 
pouco importa
não faz mal, 
apenas fale comigo
preciso eu dum novo abrigo
nesse novo vendaval.

domingo, 8 de maio de 2011

Obs. 11:

Se você acha que viver intensamente é fazer o que lhe vem a cabeça, meu bem, você precisa mesmo de alguém.

domingo, 1 de maio de 2011

Eu, outra vez

Eu vou
sou tudo
sou nada
sou dia,
melancolia;
minha felicidade tarda
meu amor se esvai
da minha sina
já não sei
diz a natureza "crescei!"
mas eu cresci,
morri, renasci
e sou a mesma coisa
a mesma que nasce
a mesma que morre
a das mesmas funções fáticas
a do mesmo domingo de sol
a do amanhecer
a do florescer
a do eterno entristecer;
sou constante
sou um instante
sou mulher
sou eu mesma,
seja lá quem sou.

Clarisse

(Legião Urbana)

"(...) Clarisse está trancada no seu quarto
com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro, me trancam na gaiola
e esperam que eu cante como antes;
eu sou um pássaro, me trancam na gaiola,
mas um dia eu consigo existir 
e vou voar pelo caminho mais bonito...
Clarisse só tem 14 anos..."