quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Surdez de um velho eterno

Só mais um dia para o fim da sequência anual
Talvez eu morra de felicidade
E nostálgica, eu sinta muita saudade.
Talvez eu até peça perdão,
Mas desculpas nunca chegam aos ouvidos do tempo.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Sonho em pesadelo

O homem que perde suas ilusões deixa de viver,
li algo parecido em um livro qualquer.
Talvez o desiludido venha a ser um pessimista,
mas o que é o pessimismo se não uma alusão
ao que realmente acontece?

Felicidade não é ter cabeça de vento.


Mas o que são algumas ilusões também?
Aquelas que você ama enfeitar
e imaginar como seriam se fossem verdade...
Aqueles desejos
só seus e de mais ninguém...
Eu realmente não sei o que dizer.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A essência da expectativa

" (...) Tudo somado, portanto, ela descobriu o que já fora descoberto algumas vezes antes, que algo intensamente desejado, ao acontecer, pode não provocar toda a satisfação esperada. Era, portanto, necessário marcar alguma outra época para o início da real felicidade - ter algum outro ponto a que seus desejos e esperanças pudessem fixar-se e, gozando mais uma vez o prazer da antecipação, consolar-se do presente e preparar-se para outra decepção. (...) "É uma sorte", pensou ela, "que eu tenha algo para desejar. Se tudo estivesse pronto, a decepção seria certa. Mas aqui, trazendo comigo uma fonte incessante de pesar na ausência de minha irmã, posso razoavelmente esperar que todas as minhas expectativas de prazer se realizem. Os planos que prometem alegria em todas as suas partes não podem ser bem-sucedidos; e a decepção geral só pode ser evitada pela presença de uma pequena contrariedade". "

Orgulho e Preconceito, cap 42
Jane Austen

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

Às coisas simples

Eu sinto, hoje sim, uma alegria maior
Porque descobri que não preciso de muito pra viver
Ou melhor, tudo isto é muito,
é
tudo afinal
Só não é aos olhos daqueles que não querem compreender.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Otimismo uma vez na vida

Acho que posso tentar de novo,
tentar construir meu próprio caminho
não garanto que não hajam lágrimas
mas posso tratar minha criatividade com maior carinho

Não preciso mais daquelas vagas inspirações.
(Amor próprio, sabe?)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mais uma estrofe ao desencanto

Apenas siga o caminho destas palavras que eu estarei a esperar
Talvez você demore, e quem sou eu para lhe obrigar?
Mas não demore minha vida toda, enfim lhe peço
Quando as sílabas se esvaírem, posso eu pensar em regresso
E desistir relutante a pensar: como pude eu querer te amar?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Desintoxicação

Eu não te largaria, você é um vício meu
Se bem que toda demência um dia vai à reabilitação
Não quero mais estes teus olhos, preciso aos meus purificar
E esvaziar-me de todos os pensamentos que um dia você
me deixou pensar.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mesquinharia coletiva

Não é porque todo mundo gosta que eu gosto também
Não é porque todo mundo faz que eu faço também
Não é porque todo mundo é que eu sou também

Não sou trivial
- e não tenho sido muita coisa ultimamente

Só não sou fã da maioria não-pensante

Mereço sono digno

Fui vencida pelo cansaço:
minha cabeça gira, meus pés doem
e meus olhos fecham-se por conta própria

Preço pago por ser alguém mortal
facilmente subjugado por um dia de calor
e por uma cidade infernal de ruas movimentadas.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dezembro nostálgico

Em vez de felicidade eu sinto um pesar
De ver que um ano passou sem perceber
- perceber-me aqui esperando por uma alegria a mais
Enquanto a vida alheia é o máximo que consigo ter

Realmente sentirei falta
Anseio por ver todos outra vez
Final de ano é sempre uma despedida
E despedida maior será 2011, o ano três

Quero um ano melhor
- não que este tenha sido ruim
Eu falo de emoção,
Falo de mais atenção pra mim

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Desequilíbrio que você me causa

(Sei que não, mas poderia ser)

Eu não tenho mais rimas prontas
como eu tinha, quando eu queria
Eram todos seus aqueles versos escritos em pensamento
Tudo o que foi motivo hoje eu enterro
- talvez em local seguro -,
ainda que com um pouco de vida,
enquanto procuro um alento menos prejudicial.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Por que neva?




Dirigido por Tim Burton,
Edward Mãos de Tesoura completa hoje
20 anos de existência *-*

domingo, 5 de dezembro de 2010

Now playing #2

Happiness
More or less
It's just a change in me
Something in my liberty
Oh my, my

Happiness
Coming and going
I watch you look at me
Watch my fever growing
I know just where I am

But how many corners do I have to turn?
How many times do I have to learn?
All the love I have is in my mind?

Well, I'm a lucky man
With fire in my hands

Happiness
Something in my own place
I'm standing naked
Smiling, I feel no disgrace
With who I am
(...)
I hope you understand

Lucky Man, The Verve

Dez observações


Presente que a Diva me deu *-*
Para ganhá-lo precisei apenas escrever dez coisas sobre mim.
Quero repassar este selo a Anderson Meireles do Filosofando o Cotidiano, Joana Masen do Milonga, Kenia Cris do Poesia Torta e a Rafael Rama que escreve em um blog entitulado com seu próprio nome, sob as mesmas condições :*

-

1) Dias claros
2) Dias de chuva
3) Tédio
4) Ironia
5) Impaciência
6) Tempos antigos
7) Solidão
8) Pé no chão
9) Calmaria
10) Rock n' roll.

-

sábado, 4 de dezembro de 2010

Sarebbe bene

Queria eu passar esta brevidade de vida numa cidade do bem-viver, onde as futilidades contemporâneas vão-se embora com a chuva. Seria bom se aqui o futuro chegasse sem largar o passado esquecido, se a vida fosse mais calma e se dividisse a si mesma em pequenos momentos singelos e não em mil pedaços de pressa e de relógio imperador.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Minha culpa

Esse teu amigo de bicicleta
Eu conheço de outros carnavais
Já escrevi muito poema
Para o que agora não importa mais
Eram sorrisos trocados que eu adorava
- O que isto precedia
Chegou quando realmente demorava
O problema sempre foi comigo
E até hoje é um desencanto
É umas das coisas que com maior convicção admito
E que não mudará, pelo menos, por este enquanto.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Receios

Dias como este estão por acabar
Levando embora a juventude com sua pele impecável
Arrastando consigo a vivacidade que parece inesgotável
E os impulsos - que mais são caprichos - sempre frustrados

Sinto falta dos velhos dias não tão velhos assim
Tenho medo do que pode mudar amanhã
E, principalmente, do que pode mudar em mim.