domingo, 26 de setembro de 2010

Física

A chuva que cai me leva embora com ela. Simples assim.
Só não devo me esquecer de duas ou três coisas...
A alienação nunca é completa.

É como numa apresentação de teatro:
a protagonista flutua leve e despreocupada, encenando.
Mas tudo não passa de uma atriz, meia-dúzia de cordas
(a sustentando para não cair), maquiagem e roupas bonitas.

Às vezes eu me esqueço de uma das leis mais importantes da Física.

sábado, 25 de setembro de 2010

O que convém

Eu tenho opiniões que não importam ou que, pelo menos,
incomodam ao resvalarem nos ouvintes.
Palavras minhas parecem doença de tanto que evitam.
Quanta prevenção!
Chego a crer que sinceridade não convém.
Seja como for, ainda prefiro parecer rude do que desfilar por aí

destilando falsidades.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Essa tal de perfeição

(Para Diva Miraglia do More of the Same *-*)

A felicidade consiste em alcançar a perfeição.
Perfeição esta que nunca chegou aos nossos olhos cansados.
Perfeição esta que nunca amenizou a nossa dor.
Perfeição esta que nos atrai com suas máscaras.
A nós, míseros seres humanos.

Mas, ainda assim, há pessoas sorrindo por aí.
Imperfeão é a regra.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pequena crueldade

Invisibilidade, só por um breve momento.
Alheia a qualquer coisa, a qualquer alguém.

Prove do néctar, talvez você goste.
Por que tão longe?
Você vem para mais perto que eu sei.


Então eu desapareço, pressa é o que eu não tenho.
É uma pequena crueldade que você supera.

domingo, 19 de setembro de 2010

Apreço

Amor em mim sempre houve de fato.
Mas desta vez o amor é excesso de uma leveza incomum.
Apreço que me vem em tempos.
Carrego um certo grau de sanidade que desconheço e um sorriso brinca em meu rosto sem compromisso.

Que venha a contradição:

Em questão de minutos volto às minhas quimeras.

sábado, 18 de setembro de 2010

Revolta infundada

Guardo comigo um sentimento de revolta, o qual fora de mim não há razão de ser. É como encarar o espelho de peito aberto e querer quebrá-lo com todas as forças.

Deve ser algum tipo de revolta pessoal, auto-destrutiva, corrosiva mas que não mata.

Uma paixão mórbida pela auto-aversão.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Quase rodapé

Cansada da preguiça de algumas pessoas, também cansada da falta de noção das mesmas.
Bom, eu diria mais falta de percepção.
Não falo aqui de coisas que são medidas ou avaliadas, por isso deixo bem claro que não quero ofender ninguém com esta quase nota de rodapé.
Falo da percepção natural que torna as relações interpessoais mais dinâmicas e menos exaustivas, exaustão esta que pende para um lado apenas.
Em resumo, nas pontes que estabeleço com algumas pessoas sinto uma falta de equilíbrio monumental.
Retomando a minha precaução de não ofender, também afirmo:

me gabar é o que eu nunca pretendi.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Insatisfação

Quem dera se todas as lagartas fossem borboletas.

Ria, mas considere: quem nunca quis ser como queria que fosse?
Quero dizer, existe alguém plenamente satisfeito com sua vida e com sua aparência?
A imagem que você vê no espelho em algum momento não lhe agradou tanto.
Atire-me uma pedra se isso não for verdade.

domingo, 5 de setembro de 2010

Diga-me

Do que são feitos os sonhos, as nuvens e os pesadelos?
Do que são feitos o amor, a vida e a felicidade?
Do que é feito o céu?
Não me venha com meras explicações científicas,
pois destas já estou farta.

Eu quero mais do que isso.

Medo

Há em mim uma sensação de falta de expectativas, de que o futuro não me pertence ou seja lá o que for. Não sei como se explica, honestamente. É como se eu morresse com o relógio parado ao meu lado, como se os anos chegassem e eu não os visse passar me levando com eles. É um desespero que me diz "oi" de vez em quando.

Sou receosa quanto ao tempo.

sábado, 4 de setembro de 2010

Particular

Eu quero todas as nuvens do céu, as estrelas que o sol ofusca e a chuva que nem aqui cai:
o mundo já é pouco pra mim.
Em um certo momento desejei a liberdade, senti o gosto do incalculável e me peguei cantando blues.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Conceituando: individualismo

Por que as pessoas são tão indiferentes?
Não se fala, não se ri e mal se olha.
Todos tão presos a sua trivial existência.
Todos escravos do tempo que hoje voa.
Egoísmo até no andar, alma individualista.
Uma coisa é ter amor próprio e outra é amar-se demais.
Narcisistas sem moral, zelosos da insignificância.

Desapego