segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Procedência

Provei das más idéias e gostei,
mas ao paladar elas já não agradam
(ainda bem)
Volto a procedência:
a mim a sociedade não corrompe mais.

domingo, 29 de agosto de 2010

Veraneio

Eu tinha a casa em ótimas condições, perfeita para o veraneio.
Sucederam-se as típicas tempestades,
aquelas que deixam aguado tudo o que é veemente:

carregaram o meu sorriso com a chuva que doía.

O que era ingênuo foi subjugado:
a árvore passou a mendigar suas graças.

Foi outono aquele dia.

sábado, 28 de agosto de 2010

Now playing

Black Hole
She & Him

My eyes are so bleary
I guess I'm young but i feel so weary
I've tried to express it
But I think its all a bore
Its at the heart of me,
A very part of me

Speak slowly, I can't hear you
My mind keeps spinning closer and
closer to the rain on the roof,
And the rain in my head, and the things that you said
People take it further ahead
And it just gets so foggy
It's nowhere in here
And its everywhere else that I don't wanna be,
But I'm stuck here getting misty over you
I'm alone on a bicycle for two.

Falsificado

Eu te amo nas ilusões que teço, tão lindo você é ao meu ver.
Seus cabelos e sua pele carregam todos os meus desejos consigo
e seus olhos são a fonte dos mesmos.

Deus nos deu linha e agulha anexados à arte de pensar.

Você é realmente uma obra-prima,
fui eu quem te fiz segundo a minha vontade.
Contudo, você está mais para uma falsificação.

domingo, 22 de agosto de 2010

Vive-se, morre-se

Vida e morte, uma das mais sedutoras dualidades existentes entre o céu e a terra (e o inferno, por que não?). Fico aqui com a vida, a morte é consequência - ou fim de ciclo, como queiram.

A vida é um galanteio da natureza e sopra nos pulmões de toda criatura. Porém não é o que pretendo aqui com estas linhas, refiro-me a grande e espalhafatosa - e medíocre muitas vezes - peça de teatro que é a vida humana.

Abrem-se as cortinas e uma vida é então plantada no centro do palco. Atenção do público. Silêncio. Começa como em um filme mudo de poucas cenas. O diretor molda o espetáculo a seu gosto. Os dias parecem ser eternos. Cresce-se. O que era eterno agora é rápido demais, ou talvez seja só ilusão do protagonista? Vive-se ou não.

Aqueles que constituem os bastidores aspiram aos papéis principais,
e quem não o faz?
Ambição, sentimento do homem.

Não nos esqueçamos do fim do espetáculo! Neste Shakespeare era mestre. Chega-se ao último suspiro e tudo o que valeu não vale mais nada, jaz aí o fechar das cortinas.

Aplausos.

sábado, 21 de agosto de 2010

Todas as cores

Pintei de preto as fotos antigas e com o branco escrevi o que quis.
Vermelho ao amor e à morte, rosa para todas as alegrias,
Roxo ao desespero, amarelo a toda miséria, laranja para toda dor,
Verde para tudo o que foi bom e azul para a melancolia.
O cinza já é do céu.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Monopólio

Você chega e faz com que eu queira permanecer até o último segundo. Borboletas em meu estômago traduzem o que não deve ser traduzido.

Chega. Agora, sem mais delonga, talvez ridiculamente sentimental seja o rótulo do leitor a mais esta embalagem sem procedência. Contudo, que posso eu fazer se você me faz tão bem?

Entrego-me a este monopólio até ele fugir de suas mãos. Porque enquanto ilusão, bem mais doce é a história e, doce também, o final desta, que não acaba em lágrima, soluço e desilusão. Apenas em desilusão.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Vácuo

Encerra o céu em sua pele e as estrelas incrustam-se a seus cabelos proporcionais a cada devaneio que emerge. Cometas chovem vestindo pensamentos e a aorta parte de um buraco negro que habita a cavidade do tórax: os pulmões respiram obsessão. O beijo é doce aos lábios e o mel doce à garganta. Satisfeitas as aparências, quem se importa com o que vigora de fato? Sorriso na medida:
ela é o anjo da persuasão.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Desprendimento?

Parada à porta, entre mim e o mundo, os sonhos agarram-me pelas mãos e as palavras são cuspidas de minha boca como algo amargo e que queima: encontram a quem sempre foram destinadas. A vida deve ser vivida várias e várias vezes, ininterruptamente - quase uma ressurreição sem morte - mesmo que seja aos erros: nada que um tapa na cara e uma boa cola não resolvam. Porém a sombra do quarto parece mais arrebatadora... a rotina é o que convém...
Rapidez então vira dilema.

Confissão

Jaz aqui um conto de uma vida tediosa, mais um capricho meu, um no qual a garota se apaixona pelos olhos do rapaz. Olhos verdes, olhos azuis, você é tão misterioso... Garanto que seus olhos misturam o céu e o mar abraçados ao horizonte.

Já estes meus olhos não são dignos de confiança, iludem a pobre moça que aqui se confessa... Creio eu, este ser mais um mero devaneio de adolescente que se rende a qualquer par de olhos bonitos.

Que posso eu fazer se você me chama a atenção?
E os seus olhos também fitam os meus, correto?

A mente nega e reafirma:
É tudo culpa destes teus olhos cinzas
querendo os azuis.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Eclipse

Preto-branco-preto-branco, luz do sol, luz de nada. Ai meu Deus, o que é isso? Não só confuso, mas antigo como Adão. Como é mesmo que os opostos se atraem?

A natureza é simétrica: a treva beija a luz em ocasiões especiais.
Preto-branco, cor do amor.

sábado, 7 de agosto de 2010

O céu acenando

Estive correndo, pensando. Morrendo.
Estive com asas, mas estas sem uso.
Joguei-as fora. Arrependo-me.
O céu acena e eu aqui aos lamentos.
Com a gaiola às trancas o canto escapa à boca,
a vida às penas que já não mais belas são.
O céu acena, o céu zomba de mim.

domingo, 1 de agosto de 2010

Quebra-cabeças

É engraçado - e até interessante - como cada pessoa extrai de nós uma essência diferente. Há os que nos fazem sorrir; estes também aconselham e, quando necessário, repreendem. Outros, despertam nosso lado mais racional, são aqueles ideais a todo tipo de conversa, defendem suas opiniões sem as nossas desconsiderar. Com alguns outros, ficamos no automático, sendo aqueles com os quais convivemos só por ter que conviver; fazem parte da paisagem, da ocasião, apenas. E outro grupo - se considerarmos nossas inimizades - torna-nos medíocres, obrigando-nos a degustar a tal da apatia.
E, assim - particularmente eu -, venho percebendo que a descoberta do "quem sou eu" não é somente minha ou, pelo menos, não se limita ao "ato ou efeito de existir" dos dicionários. Vejo as pessoas como quebra-cabeças - vejo-me, na verdade, e acho que isto também se aplica a elas - que necessitam de peças para alcançar um amplo entendimento, chegando a figura final.